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Cidadania e ética na sociedade brasileira

A cidadania e a ética são elementos fundamentais para o bom convívio em sociedade, determinando as ações e reações de determinada sociedade.

A ética está voltada para o campo moral, compondo o caráter de uma pessoa, que é um dos maiores e mais importantes valores que um cidadão pode ter. Deveria ser objetivo de toda sociedade desenvolver este atributo em todos os seus cidadãos, deveria fazer parte da grade curricular de todas as escolas e todas as famílias deveriam ser conscientizadas da importância de desenvolver a ética, pois isso geraria valor para toda nação, proporcionaria elevar o nível de maturidade, seriedade, comprometimento, qualidade e bem estar social.

A cidadania está relacionada aos direitos e deveres que os cidadãos de uma determinada sociedade estão sujeitos a cumprir para o bem-estar social, garante que as pessoas possam pensar e expressar seus pensamentos de maneira livre, garante o direito de ir e vir de locais públicos, o direito de ter um dano reparado, o direito de escolher qual religião quer seguir, qual profissão que atuar, entre outros, direitos, vejam o tamanho da importância da cidadania.

A Cidadania e a Ética juntas possibilitam o desenvolvimento de uma sociedade justa, igualitária, sem preconceitos, com respeito mutuo e todos os outros atributos necessários para o desenvolvimento do bem-estar social.

Segundo Maria da Glória Gohn,

no liberarismo, a questão da cidadania aparece associada à noção dos direitos. Trata-se dos direitos naturais e imprescritíveis do homem e dos direitos da nação. A Declaração dos Direitos do Homem de 1789 firma a propriedade como direito supremo, onde o proprietário era o cidadão, homem suficientemente esclarecido para escolher seus representantes. Só os proprietários tinham direito à plena liberdade e à plena cidadania. Para Locke, existe uma diferenciação de direitos entre a classe trabalhadora e a burguesia porque a classe trabalhadora, acostumada com o arado e com a enxada, usava somente as mãos e não a cabeça, sendo incapaz de ter ideias sublimes. [...]. O racionalismo ilustrado, ao colocar toda &ecir

 c;nfase na razão e nomear a história como evolução do espírito e autonomia da razão, propõe modificar a ordem social e política atuando sobre a consciência e a instrução. O sonho de transformação, através de uma razão ilustrada, ampliava o leque dos cidadãos, dos não-proprietários, passava pela constituição das classes populares como cidadãos, sujeitos de direitos.[1]

Francis Imbert, explica que:

o engajamento ético difere da obediência às regras. Consoante Aristóteles, Ética a Nicômaco, a pedra que se lança ao ar não poderá contrair um novo hábito, oposto ao ‘hábito original’ (a queda); pelo contrário, o homem poderá adquirir novos hábitos. A aquisição de hábitos, eis precisamente o motor da ‘virtude moral’; mas nenhuma das virtudes morais surge naturalmente em nós, no entanto estamos predispostos naturalmente a adquiri-las com a condição de aperfeiçoá-las pelo hábito”. ‘‘Daí, em sua conclusão, a Ética a Nicômaco aborda o tema da importância das ‘leis’ (as leis-códigos da sociedade) que fixam as regras da educaç

 ão e, ao mesmo tempo, presidem as ocupações dos cidadãos. ‘Temos necessidade de leis’ porque somente por seu intermédio aqueles que obedecem à necessidade, em vez da razão, e aos castigos mais do que à honra, são obrigados à aquisição desses bons hábitos. [2]

A cidadania e a ética são facilmente observadas no comportamento inter-relacional, pois todos nós nos relacionamos com outra pessoa. Todas as sociedades querem atingir a harmonia, a paz e a tranquilidade. No entanto para que este objetivo seja alcançado é necessário que haja normas internalizadas com capacidade para prevenir, reprimir e externar o bom senso em cada indivíduo, o que, por consequência, proporcionará indivíduos mais saudáveis e nos levará a uma sociedade mais justa formada por indivíduos éticos e cidadãos.         

[1] GOHN, Maria da Glória. Movimentos Sociais e Educação. Coleção Questões da Nossa Época. Vol.5. Cortez Editora. 6ª. edição. São Paulo, SP. 2005. p. 11-13 e 16.

[2] IMBERT, Francis. A Questão da Ética no Campo Educativo. Editora Vozes. 2ª. edição. Petrópolis, RJ. 2002. p. 14-15.

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